Estatina na prevenção prevenção de infartos em pacientes com hipercolesterolemia




Hoje, iremos falar de um assunto que é um problema mundial, as dislipidemias, e alguns dos medicamentos mais utilizados para o seu tratamento, as estatinas.

Bom, mas qual o motivo de se preocupar tanto com as dislipidemias? A hipercolesterolemia tem forte relação com as doenças vasculares ateroscleróticas - principalmente a doença arterial coronariana (DAC) – já a hipertrigliceridemia está relacionada a um aumento do risco de pancreatite aguda.

 Mas como funcionam as estatinas? seu mecanismo de ação é inibir uma enzima chamada hidroxi-metil-gluratil-coenzima A redutase (HGM-CoA redutase), desta forma a produção hepática pelo fígado torna-se prejudicada, isto faz com que os hepatócitos capturem mais lipoproteínas séricas, especialmente a LDL, e as degradem.

Certo, sabemos que as estatinas diminuem o nível sérico de algumas lipoproteínas, mas isso é um desfecho mole, pois se trata apenas de um resultado laboratorial, mas será que as estatinas reduziriam algum desfecho duro como infarto agudo do miocárdio? Em 16 de novembro de 1995, a “The New England Journal of Medicine” publicou o artigo “Prevention of coronary heart disease with pravastatin in men with hypercholesterolemia”, este estudo teve como objetivos avaliar se a administração de pravastatina em homens de meia idade com hipercolesterolemia reduziria a incidência de infarto não fatal ou morte por doença coronariana, vamos olhar este estudo mais de perto e entender o que ele fala sobre os benefícios das estatinas.

O desfecho primário desse estudo era avaliar a ocorrência de infarto não fatal do miocárdio combinado com morte por DAC, como também avaliar separadamente a ocorrência de infarto não fatal do miocárdio e morte por DAC.

O desenho do estudo foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, que deveria durar 5 anos, a análise estatística obedecia ao princípio de intenção de tratar, 6595 homens com hipercolesterolemia foram randomizados em um grupo caso que receberia 40mg de pravastatina todas as noites e um grupo controle que receberia placebo. Para que houvesse 6595 participantes, 160.000 homens entre 45 e 64 anos foram convocados, 3 visitas foram feitas antes da randomização, 2 perfis lipídicos e um eletrocardiograma foram feitos neste período. Para que um homem pode-se participar do estudo ele tinha que ter níveis séricos de LDL em jejum acima de 155mg/dL nos dois exames feitos, ter um LDL sérico em jejum acima de 174mg/dL em pelo menos 1 dos dois exames feitos, eles também não poderiam ter LDL acima 232mg/dL. Além dos níveis de LDL, os participantes não poderiam ter nenhuma anormalidade no ECG segundo o código de Minnesota, arritmias, fibrilação atrial, história prévia de infarto do miocárdio ou qualquer doença severa, contudo homens com angina estável sem hospitalização nos últimos 12 meses poderiam participar. Os Participantes eram entrevistados em intervalos de 3 meses, eles eram aconselhados a terem dietas com baixo ter de lipídios durante todo o tempo, perfil lipídico eram feitos a cada 6 meses, Um ECG era feito anualmente ou mais vezes caso fosse necessário. As características dos participantes estão listadas na tabela abaixo.


  O estudo teve como resultado uma redução de 31% no grupo caso para o desfecho primário combinado, infarto não fatal do miocárdio ou morte por doença coronariana, com intervalo de confiança de 95%, P<0,001. Os gráficos abaixo mostram a porcentagem de eventos no grupo caso e controle.

  

 A tabela abaixo mostra o resultado do estudo com detalhes sobre número de eventos e as porcentagens no grupo caso e controle para os desfechos primários.


  Ficou claro nesse estudo que a pravastatina reduziu mortalidade e o número de infartos não fatais do miocárdio, contudo esse estudo só foi realizado com homens, será que nós podemos afirmar que esse medicamento também traria o mesmo benefício para as mulheres???
 Observe, também, que o desfecho de Morte por DAC não teve significância estatística quando analisado isoladamente, ele teve um P = 13%.

  Logo, o uso estatinas é significante para a prevenção de infarto não fatal em pacientes dislipidêmicos, contudo seu uso para prevenir morte por DAC não foi comprovado.

  Outro ponto que eu queria salientar é que o estudo não afirmou o NNT, Number Needed to Harm, que seria o número necessário de pacientes que nós temos que tratar para evitar um desfecho. Então vamos ao cálculo!

  Primeiro, calcula-se a redução absoluta do risco (RAR) da seguinte forma:
RAR = risco do controle – risco do caso
Para achar o NNT, basta dividir 100/RAR

O NNT para infarto não fatal do miocárdio ou morte por doença coronariana???
RAR = 7,9%-5,5% = 2,4%
NNT = 100/RAR =100/2,4 = 41,6
obs: os dados estão na tabela acima.
Portanto, é necessário tratar 42 pessoas para que uma seja beneficiada.

E o NNT para infarto não fatal do miocárdio isoladamente???
RAR = 6,5% - 4,6% = 1,9%
NNT = 100/1,9 = 52,63
Logo, precisaríamos tratar 53 pacientes para prevenir 1 infarto não fatal do miocárdio.

FIM

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