O presente estudo foi
realizado devido à preocupação com a mediastinite, infecção profunda da ferida
operatória de cirurgia cardíaca, com comprometimento do espaço retroesternal,
associada ou não a osteomielite. Esta complicação possui incidência, segundo a
literatura, de 0,6 a 5,6% e apresenta letalidade entre 14 e 32%, se tornando
relevante pelas altas taxas de morbimortalidade, prorrogação do tempo de
internação hospitalar, retardo na recuperação pós-operatória e consequente
elevação dos custos hospitalares.
A identificação dos pacientes suscetíveis ao problema se
torna fundamental e o artigo teve como objetivo, testar a aplicabilidade do
MagedanzSCORE em prever os riscos de ocorrência da mediastinite naqueles
submetidos à cirurgia de revascularização do miorcárdio (CRM), em um hospital
de referência em cardiologia no RS.
Foram apontadas cinco variáveis preditoras independentes
para a ocorrência da complicação: angina estável classe IV/ angina instável (Al),
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), obesidade, reintervenção cirúrgica e
politransfusão sanguínea no PO.
O estudo foi observacional, de coorte histórica, e os
dados foram coletados através da revisão de registros médicos nos prontuários,
tendo sido analisados dados demográficos, dados clínicos pré e transoperatório,
uso de antibioticoterapia e termpo de internação.
Foram
avaliados 1.322 pacientes de ambos os sexos e com idade igual ou superior a 18
anos, submetidos à CRM isolada, com ou sem circulação extracorpórea (CEC).
Foram excluídos os que não tinham registradas todas as variáveis contempladas
pelo escore.
A
mediastinite intra-hospitaral, bem como o óbito por qualquer causa, foram
desfechos analisados.
O escore em caso foi composto pelas cinco variáveis
preditoras independentes, com o somatório classificando em 4 gurpos: baixo
risco (zero pontos), médio risco (1 a 2 pontos), elevado risco (3 a 4 pontos) e
muito elevado risco (>= 5 pontos).
Os
dados foram analisados através do programa Statistical Package for the Social
Sciences (SPSS) e o desempenho do score avaliado através de comparação da taxa
de mediastinite presumida por ele com a observada.
Como resultado mostrou-se que as variáveis preditoras
independentes para mediastinite mais prevalentes foram angina de classe IV/instável
(58,8%), seguida de obesidade (25,4%).
Na tabela abaixo é possível observar a distribuição dos
pacientes que apresentaram o desfecho, segundo a categoria de risco do MagedanzSCORE.
Três das cinco variáveis preditoras de infecção
apresentaram associações estatisticamente significativas: a reintervenção
cirúrgica, DPOC e obesidade, achado este, importante e fundamental na suspeita da
possível complicação, que pode ser utilizado como orientação aos médicos para
que tomem medidas necessárias de prevenção aos pacientes que apresentem tais
características.
Neste estudo, um dos mais relevantes resultados
encontrados foi o fato de 73,2% dos pacientes que desenvolveram mediastinite,
terem sido classificados nos grupos de risco elevado e muito elevado do escore.
Diante
do exposto, pode-se aferir que o escore estudado tem sim relevância, e se
mostra eficaz na predição do desfecho.
Ao
fim do estudo, é possível predizer de forma individualizada e com base nos
resultados obtidos, quais pacientes necessitarão de cuidados mais intensivos e,
assim, elaborar estratégias que reduzem as taxas de complicações e,
consequentemente, melhoria na qualidade de vida dos pacientes recém operados,
obtendo, assim, maior índice de sucesso pós cirúrgico.
Embora
tenha sido um estudo que obteve resultados satisfatórios, para maior relevância
deste, poderia ter sido eliminado o viés de seleção, pois, apesar de contar com
uma amostra signficativa de pacientes, esta foi selecionada por conveniência,
podendo ter interferido nos resultados obtidos e gerado uma porcentagem de
dados falso-positivos.







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